E todas as últimas coisas que fiz não foram para mim. Saí da cama para viver a vida para outras pessoas, tomar um café da manhã que já estava na mesa, pegar um ônibus que já tinha o percurso pré-determinado. Cheguei no trabalho para executar um trabalho que não me trará nada – exceto experiência e dinheiro, não sou egoísta para negar – e o que acrescentará será à empresa. Usei um computador que não é meu, almocei um prato feito, tomei o rumo de volta. Chego em casa e retorno para a cama, precursora da rotina pensada por outras pessoas. E, para não dizer que não pensei em mim, penso antes de dormir. Penso na competência que tenho para executar com maestria as tarefas que me dão e repenso nos porquês de não estar realizando as mesmas tarefas para mim. Penso nas minhas capacidades e de como o mundo as consome, me restando o resto. Penso em quanto eu poderia ter feito por mim, mas não fiz, pois preferi ser vitima. Penso que, em um próximo sair da cama eu poderei levantar para viver a vida, a minha, não a dos outros. Apesar de estar condicionado, aceitei as condições. Para estar por mim, preciso contratar as minhas vontades. Para estar por mim, preciso praticar a autodependência.

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