Malabares na Praca das Comocoes - um sentimento por dia

Sou um mendigo. Vivo mendigando coisas boas, como qualidades e perfeição. Costumo me sentar na calçada dos desejos e ficar implorando para quem passa (ninguém) um pouquinho de compreensão e boa vontade. Não precisa ser muito. É só deixar no meu chapéu no chão, ao lado da placa “Aceito doações”.

E como um andarilho, continuo caminhando com as minhas pequenas conquistas sentimentais na pequena bolsa velha, ou nos bolsos furados, sem reparar que está tudo caindo no chão e tem sempre alguém atrás, pegando o pouco que conquistei fazendo shows de expertise nas praças das comoções.

Que peguem. Eu vou acabar fazendo mais malabares com as situações para ver se conquisto algo de mais valor.

Precos Intangiveis - um sentimento por dia

Todo mundo está preocupado com o tempo e ninguém mais se preocupa com a própria vida. Perdemos fazendo o que não queremos e não ganhamos ao aproveitar o pouco que poderíamos.

O tempo é caro, a vida é preciosa.

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Durma junto. Acorde sozinho.

Ao dormir em uma cama diferente, não se cobre com as mesmas discussões. Aliás, discutir é coisa de quem divide o cobertor. Em uma cama estranha há troca de palavras aleatórias, gemidos, muito envolvimento carnal e pouco sentimental. Os problemas ficam embaixo das próprias cobertas, em casa.

Quem dorme com um estranho, estranho é. A não ser que haja o mínimo de relação, não se sabe a cor favorita, quais lugares visitou, se usa M ou G, se a mãe e o pai são vivos, se possui uma casa no campo, se já namorou com muitas pessoas, se é feliz. Dormir com um estranho é estranhar descobrir algo além de um corpo.

Em cada cabeceira, uma cabeça diferente. E talvez você jamais descubra o conteúdo de cada uma delas. Mas quem precisa entender a cabeça do outro quando este não te pertence? Quem dorme com um desconhecido dorme com o que a cabeça está pensando na hora, e muitas vezes ela está pensando o mesmo que você: descompromisso.

Não ter que dar explicações sobre lençóis e colchões é a parte descomplicada. Hoje o difícil é envolver-se em uma única cama e compartilhar, além dos travesseiros, histórias, momentos, problemas, alegrias e sofrimentos. Envolver-se entre edredons e conversas sobre o futuro, acordar diariamente ao lado da mesma pessoa, conviver com as mesmas qualidades, defeitos e administrar a mesma rotina é um desafio maior do que se aventurar entre dormitórios diferentes.

É mais fácil dormir cada dia em uma cama do que ter uma para dois. Difícil é ter uma cama para dois e não ter com quem dividi-la.