Está tudo bem. As roupas jogadas no chão do quarto, a louça suja na pia e as dores aqui no meu peito. Essas três coisas, não necessariamente nessa ordem, sempre fizeram parte da nossa rotina, caso contrário, não seríamos o que somos hoje.

A falta de organização sempre imperou a sua vida. O chão do quarto está cheio de roupas que vão ficar lá para sempre, ou pelo menos até a próxima visita da empregada. A pia vai ficar lotada para sempre, ou pelo menos até alguém notar que não temos mais talheres, pratos e copos. A dor vai ficar em meu peito para sempre, ou pelo menos até alguém descobrir quem causou essa consternação, caso contrário, tudo estaria meio que organizado.

Estou aqui pela mudança, apostando em você com o fervor de quem joga na Mega-Sena acumulada. Não quero a quadra, nem a quina, quero a sena. Não entrei em bolão algum, pois quero ganhar sozinho e gastar o prêmio comigo. Vou vencer e o quarto vai ficar arrumado, a pia limpa e meu peito em enlevo, caso contrário, vou ter que aceitar que perdi o jogo, o tempo e você.

Sendo franco, o que mais me chateia não é a roupa ou a louça, é o meu peito. As roupas sempre guardo, a louça sempre lavo, mas a dor nunca passa. Não há massagem, Gelol ou chá que façam esse incomodo aqui dentro sumir. Eu suspeito que o problema seja físico e psicológico, não meu, mas seu. Essa dor deve ser por todas as conversas que não tivemos, por tudo aquilo que deixei passar e principalmente pela transformação que nunca ocorreu, caso contrário, eu estaria feliz, sem sentir mais nada que me deixe mal.

Vai passar. A roupa, a água na louça. A dor vou levar, e se der tudo certo, eu volto. Se ela sumir, eu volto. Se parar de latejar, eu volto. Se nunca mais doer, eu volto. Caso contrário, a gente foi só um caso ao contrário.

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