O amor nos tempos dos apps - um sentimento por dia

Era inevitável: o toque no smartphone lhe lembrava sempre o destino dos encontros contrariados.

Já não flertava mais. Se conhecer alguém dependesse de um olhar, esse olhar seria para o Tinder. Os dedos se tornaram ágeis, para passar por gente indesejada. Fotos das mais diversas surgiam na tela do celular, com gente fazendo a melhor pose, usando a melhor roupa e gastando o melhor filtro de Instagram para tentar traduzir o que é beleza. Cada foto bonita valia um like e cada like sonhava ser um match.

Nas conversas, a superficialidade ganhava forma. Falava-se sobre gostos no cinema, na música, na cozinha e na cama. Falava-se sobre o tipo ideal de pessoa, quando na verdade isso era irrelevante, desde que valesse uma fodinha. Falava-se sobre o futuro, desejos do amanhã e a vontade de trepar agora. Por mais que o papo tomasse forma, a melhor forma era falar de sexo.

Infelizmente, os dedos não dão prazer à tela do celular e os encontros reais tornaram-se necessários. Queria, tinha preguiça, mas sabia, mais por escarmento que por experiência, que um match tão fácil não podia durar muito tempo. Os encontros deixavam saudades das imagens na tela do celular. Dificilmente alguém era igual ao app e a neurolinguística deixava claro que cada encontro é um dislike pessoalmente. Os assuntos eram ainda mais frios e as pessoas mais distantes do que um GPS conseguiria identificar.

Sentiu falta da parte humana, de se envolver com alguém que conheceu no ônibus, na hora do almoço, em um bar, por um amigo. Sentiu falta de ter experiências reais, de matar a preguiça para conversar pessoalmente, de tocar sem querer, de sentir o perfume, de ver como se porta, se gesticula demais e se consegue ser feliz o tempo todo. Sentiu falta de se envolver o suficiente para o sexo rolar naturalmente, para dormir de conchinha, para trocar beijos matinais, para sentir saudade, para se apaixonar. Sentiu falta do físico, pois do virtual já estava saturado.

Trocou a sua conexão de 3G por conexões reais. Largou os aplicativos para se aplicar a conhecer alguém mais profundamente. Restaurou as configurações iniciais e percebeu que nada se compara com uma conversa no mundo físico. Buscou bons momentos e encontrou pessoas interessantes. Voltou a usar o celular para fazer mais ligações telefônicas e menos virtuais.

Não há app melhor do que viver.

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Cegos. Não como os que não enxergam cor, mas como os que não enxergam o mundo. Os de razão, sabe? Aqueles que se veem no topo da sabedoria e toda falácia se torna argumento. E todo o entorno é feito daquilo, da coisa falada, do objeto de desejo, do fanatismo. Daí, não existe mais nada que não seja a certeza de estar completamente certo.

Essa cegueira é a mais fácil de curar, pena que estes cegos não querem a cura.

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É impossível ser feliz e parece que será assim para sempre. Você freia o meu sucesso. Tudo o que quero não está bom. Tudo o que posso não é possível. Não importa que a gaiola seja grande, você sempre corta as minhas asas. Parece protecionismo, mas acho que é só insegurança. Você tem medo de me perder. Medo que eu saia de casa e ao invés de ganhar você, ganhe o mundo. Infelizmente o seu mundo já é pequeno para mim e eu preciso de novos universos. Não somos do mesmo planeta e eu vivo preso no seu. Quero liberdade para agir e pensar. Quero espaço para mim é para os meus pensamentos. Quero a redenção.

Se liberta de mim, para que eu finalmente possa me libertar de você?