A última vez que deixei a chuva lavar minh‘alma, me afoguei. Os banhos com gosto de infância agora têm sabor de gente grande, com direito a se deleitar de culpa e degustar os erros através das gotas. A última vez que deixei que a chuva caísse sobre meu corpo, estava com um sorriso no rosto, feliz pela ducha de São Pedro, achando graça de poder me molhar sem ter que ligar o chuveiro. Agora a água da chuva tem peso de chumbo e a única vantagem que percebo é não sentir as lágrimas escorrendo quando tanta água se mistura.

A chuva não veio para lavar, veio para levar.

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