Ele se foi, e como quem parte, não leva nada, a não ser as saudades de quem fica.

Quando alguém vai embora para sempre, você não sabe muito bem o que ela gostaria de levar. A morte não é assunto recorrente e quando ela chega não deixa escolhas, a não ser as dos que ainda estão vivos. Tive que escolher o que Ele iria vestir, sozinho, sem o próprio em corpo ou alma para me ajudar. Não escolhi um terno preto, gravata lilás ou um clichê bem bonito. Peguei uma roupa colorida, pois queria que Ele se sentisse um pouco radiante de onde quer que estivesse se vendo. Escolhi uma polo azul piscina, uma calça preta e sapatos sociais.

Quando alguém parte da matéria, você não sabe qual parte dela a pessoa gostaria de levar. Ele passou a vida carregando coisas nos bolsos, por que ir embora com eles vazios? Não podia deixá-lo com os documentos ou as chaves de casa, já sabia que ele não iria voltar. Então deixei algo meu, uma pulseira que no sol se transforma em um prisma com cores do espectro (ou pequenos arco-íris). Se o mundo estiver certo, no céu há muita luz e não haverá um dia onde o prisma não brilhe.

Não sei se Ele gostou das roupas ou da pulseira, mas acho que de alguma forma ficou contente por eu não ter deixado que ele partisse de bolsos vazios e com qualquer roupa.

Seja qual tenha sido o lugar onde Ele chegou, com certeza causou uma boa impressão.

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