Me perdoe, já que aí dentro algo não consegue me perdoar. Perdão por quê? Por querer viver fora dos padrões, por quebrar a rotina e por não ser tão certinho. Por nada disso combinar com você. Por nada ter a ver com o que você pensa ou sente.

As vezes quero me ver livre de você, mas não é sobre o seu eu, é sobre sua mente. É sobre como você se porta diante de algo inusitado, como dormir fora em uma segunda ou inventar uma doença só para ficarmos juntos em uma quarta. É errado, mas quem disse que é preciso estar sempre certo para ser feliz. E a felicidade não vem só do que o destino dá, das conquistas. Ela vem de algum lugar dentro da gente que sabe equilibrar o certo e o errado. O seu certo anda errado demais.

Não quero te induzir ao caminho da perdição. Não desejo o mal, nem que você faça escolhas ruins. Eu só espero que você ouça menos a voz que condiciona e mais a que te liberta. Libertação é equilíbrio e a sua balança tem apenas um lado.

Me perdoe, ainda que não precise pedir perdão. Sei que só assim você irá me perdoar. A sua coerência é refém da moral, mas a sua moralidade não possui parâmetros. Você precisa ouvir perdão para satisfazer a sua mente, não o seu coração.

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