Me perco em uma razão que não é minha, me vendo a um superego que não me pertence.

Contundente. Me sinto Alice, preso em um país, sem escapatória, sem maravilhas. Me sinto Bela, preso em uma síndrome incurável, confortável em um Estocolmo que não descobri ter. Me sinto conto e pouco fada, preso em um livro mal escrito, esquecido na estante de algum bibliofóbico.

E esse gosto de desgosto que deixa a boca amarga não passa. Posso esfregar a língua, passar fio dental dez vezes e ver os dentes vermelhos de sangue e fazer longos bochechos até sentir o álcool corroer minha gengiva, as papilas gustativas ainda sentem o sabor do fel. O gosto é consciente, mas vem de uma parte indecifrável do inconsciente. Talvez seja de um dos duzentos traumas da infância, talvez seja proveniente de uma das 50 frustrações que tenho tido nos últimos anos. Ele vai se dissipar, quando dizimar minha alma desta outra.

Vou encontrar a razão, perdida em um pedaço intocado do meu lóbulo frontal, perdida em uma parte imaculada da minha consciência. Vou encontrar a realidade dos anos perdidos, das escolhas erradas, um fragmento de esperança que me leve à redenção. Vou me encontrar, longe dessa coerção.

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