E lá estava eu, fazendo justiça com as próprias mãos. Como se tudo o que eu desejasse fosse uma regra a ser cumprida, eu exigia honestidade (ao menos de mim).

O efeito inverso do que você deseja tem um poder muito mais estrondoso do que o ato de desejar, por isso eu parei de ter sonhos muito grandes. Estava desejando demais. Desejava coisas nos conformes, de acordo com o que planejei (mas infelizmente ainda nos meus conformes), o que tirou o sentido de querer tudo aquilo.

Vejo-me agora perdido entre os direitos que não sou dono, mas que são donos de mim. O direto da predileção, o meu predileto, se perdeu junto com o desdém que vem de brinde com esse direito. Meus desejos se cruzam com meus direitos, e me perco dentro da minha razão.

Eu gosto da visão de justiça que larga a venda e a balança em cima da cama e volta a dormir, se tornando mais bonita no sono da beleza.

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