motivos-para-nao-dizer-eu-te-amo-um-sentimento-por-dia

Não preciso dizer “eu te amo”. Eu meio que já faço isso quando o meu primeiro ato ao acordar é te mandar mensagem. Se eu acordei pensando em você, só pode ser amor. Digo “eu te amo” com outras palavras quando passo para te buscar no trabalho de surpresa, sugerindo ir ao seu restaurante favorito ou simplesmente te acompanhando até sua casa. Não digo “eu te amo”, mas digo o que você pode fazer numa situação chata em seu trabalho ou com a sua família, já que você não consegue pensar direito no melhor caminho a seguir. Ao invés de falar “eu te amo”, passo na sua casa todo dia à noite para falarmos exatamente o que já falamos no decorrer do dia, da semana, do mês ou do ano, pois sei que amar é redundância e estar apaixonado é pleonasmo. Substituo um “eu te amo” com beijos antes de abrir os olhos, dormir de conchinha, carinho na cabeça e pernas sobre pernas. Falo “eu te amo” quando sugiro uma viagem em cima da hora, ajuda para fazer compras e opiniões sobre roupas que você deve comprar ou não. Prefiro rir junto com você de uma piada boba e forçada feita após um longo silêncio do que um simples “eu te amo”. Ofereço ficar na cama contigo por mais duas horas, mesmo com fome, só pelo prazer de estar em sua companhia, no lugar de um “eu te amo”. Gosto mais de te ajudar quando você não sabe qual remédio tomar para a garganta ou quando precisa de companhia para o médico do que falar um “eu te amo” solto, sem graça.

Em um “eu te amo” o amor cabe uma única vez. Mas o amor cabe inúmeras vezes em atos de afeto. Troco um milhão de “eu te amo” por atitudes, porque eu amo você.

Calor - Um sentimentio por dia

Tá calor. Tá quente demais, misericórdia! Se tá quente desse jeito dormindo sem roupa e sem cobertor, imagina só dormir de conchinha com alguém? Deus que me livre! Tá calor demais para namorar. Ficar beijando com esse calor, o corpo suado, que nojo. Não dá certo não. Ter que sair na rua de mãos dadas, sendo que elas estão molhadas, eca. Ter que tomar banho junto enquanto um passa calor do lado de fora do chuveiro e outro se refresca, olha isso, que egoísmo. Tá quente demais para ter alguém do lado, te apertando o tempo inteiro e dizendo um monte de frases bonitas, que dão um calorão só de pensar em tanto mimimi. O calor é tanto que não dá para aguentar conviver com mais alguém que não seja você mesmo.

Ainda bem que tô aqui, sozinho, comigo. Tá quente demais para ter algo além de um coração gelado.

Visitando o Passando - Um sentimento por dia

Visitei o passado e encontrei problemas mal resolvidos, amores inacabados e pessoas que poderia ter me tornado hoje. Será que sou feliz com quem me encontrei ou com quem eu sou? Jamais saberei. Talvez o eu de ontem fosse mais intransigente, porra louca e intenso. Honestamente, não sei o que faria com esses atributos. Talvez teria me tornando um desses babacas que vai para a balada em busca de sexo fácil ou ter acordado para a vida e construído família, com um emprego de terno e gravata em algum firma e faria encontros mensais com a galerinha da escola. Talvez eu fosse amigo de gente que nem sabe o que é amizade, mas não faria diferença: para mim amizade seria qualquer tanto faz, já que a intransigência me deixaria cego quanto a quem realmente gosta de mim.

Passeando pelo ontem, descobri porque me tornei quem sou hoje. Um pouco de calculismo, metodismo e alguns ismos não me fizeram mal. Muito pelo contrário. Essa espécie de doença que me torna mais certeiro com o que quero e empático com quem amo deve ter servido para alguma coisa. Acho que sou feliz como sou, mas não tenho certeza se seria ainda mais feliz como eu era ou como poderia ser.

Virei as chaves da incerteza para abrir a porta da personalidade e encontrar diferentes pessoas dentro de mim.

Sem visitar o passado, jamais entenderia quem sou hoje. Sem viver o presente, nunca saberei quem eu poderei ser no futuro.